Dino manda estados e municípios prestarem contas de emendas Pix sob pena de brecar execução
O prazo para a prestação de contas é de 90 dias
02/04/2025 | Por: (FOLHAPRESS)
Os processos são motivo de embates entre o Congresso e o Supremo.
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo
Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (1º) que estados e municípios
prestem contas da execução de mais de 6 mil emendas Pix que não tiveram plano
de trabalho.
O prazo para a prestação de contas é de 90 dias. Segundo a decisão, a
execução das emendas será suspensa por "impedimento de ordem técnica"
caso estados e municípios não apresentem as informações solicitadas pelo
Supremo.
A decisão se deu após o TCU (Tribunal de Contas da União) enviar na
sexta-feira (28) nota técnica ao Supremo com os resultados de um pente-fino
realizado nas emendas Pix de 2020 a 2024.
Dino disse que a falta de transparência na execução das emendas -com
6.247 planos de trabalho não cadastrados que somam "dezenas de bilhões [de
reais] do orçamento público federal"- demonstra o "nível de
desorganização institucional" das emendas Pix.
"Como já demonstrado nestes autos, deveres básicos atinentes ao
planejamento, controle, transparência, rastreabilidade e prestação de contas
restaram inadimplidos, afrontando preceitos constitucionais e legais",
afirmou o ministro.
As emendas Pix são transferências de recursos feitas por parlamentares
que, até 2024, não tinham objeto predeterminado de contratação. O Supremo
determinou que cada emenda desse tipo deve ter um plano de trabalho
especificando sua execução.
Na mesma decisão desta terça, Flávio Dino determinou a suspensão de
novos repasses de emendas parlamentares para instituições de ensino superior
estaduais e suas Fundações de Apoio dos estados do Acre, de Alagoas, do
Maranhão, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, de Rondônia e de Sergipe.
Esses oito estados não se manifestaram sobre as novas regras de
execução das emendas recebidas no prazo definido pelo Supremo. Em janeiro, Dino
determinou que a União e os estados publicassem novas normas e orientações
sobre a aplicação das emendas parlamentares federais, por falta de
transparência e rastreabilidade.
Os gestores da Bahia, do Espírito Santo, do Goiás, do Pará, do Paraná,
do Rio de Janeiro e do Tocantins terão de apresentar informações complementares
em 15 dias. Segundo Dino, esses sete estados se manifestaram no processo, mas
de forma insuficiente.
Flávio Dino é relator de quatro ações no Supremo que questionam a
transparência das emendas parlamentares.
Os processos são motivo de embates entre o Congresso e o Supremo. Foi
por meio deles que o tribunal determinou o fim das emendas de relator em 2022 e
suspendeu o pagamento de todos os recursos no ano passado.
Partilhe a notícia