Uma operação da Polícia Militar nas comunidades Parada de Lucas e Vigário Geral, no Complexo de Israel, na Zona Norte, provocou intenso tiroteio e o fechamento temporário da Avenida Brasil e Linha Vermelha na madrugada desta segunda-feira (24). A ação faz parte da segunda fase da ocupação, que ocorre após a estabilização da Cidade Alta e a remoção de barricadas na região.
As vias foram liberadas pouco antes das 3h. Por volta das 9h, um incêndio em dois caminhões voltou a fechar a Avenida Brasil, na altura de Coelho Neto, na Zona Norte. Segundo o Centro de Operações Rio, como alternativa, motoristas no sentido Centro devem seguir pela pista lateral. Enquanto quem vai para a Zona Oeste deve ir pela pista central.
Ainda na ação, quatro criminosos foram presos por equipes do Bope após negociação para rendição. Os agentes apreenderam 2 fuzis.
De acordo com o porta-voz da PM, major Maicon Pereira, o grande objetivo é impedir confrontos contra as comunidades do Quitungo, Guaporé, em Brás de Pina, e do Complexo da Penha, que acabam colocando toda a população em risco.
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"Essa é a segunda fase de uma ação iniciada na sexta-feira, quando a Polícia Militar atuou na Cidade Alta, onde mais de nove veículos foram recuperados, mais de 10 toneladas de barricadas foram removidas e o direito de ir e vir da população foi restabelecido com a liberação de diversas vias que estavam fechadas ou com valas que impediam o tráfego de veículos colocadas por criminosos", explicou.
O major ressaltou que o fechamento das vias ocorreu como protocolo de segurança. "No início da ação houve o fechamento preventivo das principais vias expressas, um protocolo de segurança adotado pela Polícia Militar para preservar a integridade física de toda a população e também dos policiais militares envolvidos na ação. Neste momento, o Batalhão de Ações com Cães faz toda uma varredura nas comunidades em busca de armas, drogas e explosivos que estejam escondidos por criminosos, além do Batalhão de Operações Policiais Especiais que atua na região”, acrescentou.
Ao todo, mais de 200 agentes atuam na localidade. A medida visa conter a atuação de grupos criminosos armados e reduzir os impactos da criminalidade no dia a dia de moradores e de usuários das principais vias expressas do município.
Segundo a corporação, a Cidade Alta possui posição topográfica privilegiada, o que pode ser utilizado pela facção para ampliar sua capacidade de observação, controle territorial e enfrentamento às forças de segurança. Com a estabilização daquela área, os agentes avançam para outras comunidades.
O principal objetivo é conter as disputas territoriais entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV) no entorno do complexo, além de combater quadrilhas que utilizam essas localidades como base para a prática de roubos de veículos e de cargas, exploração ilegal de serviços e outras atividades.
A operação também tem como foco o enfrentamento a práticas de perseguição e intolerância religiosa contra minorias religiosas, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, determinadas pelo chefe do tráfico do TCP, Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
Participam agentes dos batalhões de Operações Policiais Especiais (BOPE), de Ações com Cães (BAC), Tático de Motociclistas (BTM), Polícia de Choque (BPChq), Grupamento Aeromóvel (GAM) e Núcleo de Apoio a Operações Especiais (Naoe.
Pelo Comando de Policiamento Especializado (CPE), atuam equipes do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e das Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom).
A ação conta ainda com 40 viaturas leves, 15 motocicletas, cinco veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP), uma ambulância do Bope, um Núcleo de Aeronave Remotamente Pilotada (NuARP), uma aeronave equipada com imageador e outra blindada. Também integram a estrutura de apoio equipamentos de engenharia e logística, incluindo retroescavadeira, caminhão-caçamba e caminhão-prancha.
"A segunda fase da operação reforça a estratégia de atuação integrada da Polícia Militar para recuperar a capacidade de policiamento, conter a expansão de disputas territoriais e ampliar a segurança da população nas comunidades e nas áreas de circulação do entorno do complexo de comunidades", explicou a corporação.
Devido a operação, quatro escolas municipais suspenderam as aulas nesta manhã. Além disso, duas unidades de Atenção Primária interromperam o funcionamento e avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Outras três unidades mantêm o atendimento, porém as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, estão suspensas.
Primeira fase
A PM anunciou, na última sexta-feira (21), a ocupação por tempo indeterminado do Complexo de Israel. Na ocasião, as equipes atuaram nas comunidades Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. Durante a operação, agentes do Comando de Operações Especiais (COE) removeram seis estruturas instaladas para dificultar o acesso das forças de segurança, desobstruíram duas vias, fecharam três valas e demoliram uma estrutura usada para impedir a circulação dos policiais.
Os policiais também encontraram barricadas equipadas com explosivos, além de veículos que, segundo a PM, estavam preparados para serem detonados com a aproximação dos agentes. Acionadores estavam entre os materiais localizados.
Um motorista de ônibus chegou a ser baleado enquanto chegava para trabalhar em Parada de Lucas. Segundo o Rio Ônibus, o tiro atingiu um condutor da viação Caprichosa no ombro, próximo à garagem da empresa. Ele chegou a ser socorrido por outro rodoviário e encaminhado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde passou por cirurgia.
Complexo de Israel
O Complexo de Israel é formado por cinco comunidades: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau.
A região leva esse nome por causa do domínio de Peixão, que é adepto de símbolos de Israel, como a Estrela de Davi. Apontado como líder da facção Terceiro Comando Puro (TCP), ele é um dos criminosos mais procurados do país.
A religiosidade de Peixão é tamanha que ele se auto-intitula como Arão, o profeta de Deus, irmão de Moisés. O nome foi assumido também pela sua quadrilha que se autodenomina 'Tropa do Arão'. Ele também costuma expulsar moradores de suas áreas de influência simplesmente por exercer a religião, determinando a invasão e depredação de centros religiosos dedicados à citada devoção.