O Ministério Público do Rio afirmou ter identificado dois casos de "lesões atípicas" entre os mortos analisados. Em um deles, havia característica de disparo de arma de fogo a curta distância. No outro, o corpo apresentava lesão por arma de fogo disparada à distância e também ferimento por decapitação, "produzido por instrumento cortante ou corto-contundente".
Promotores apresentaram ao menos oito denúncias envolvendo 19 policiais militares. As acusações incluem peculato, violação de domicílio, insubordinação e uso inadequado de câmeras corporais.
Apesar da operação com maior número de mortos ter ocorrido no Rio de Janeiro, o estado não está entre aqueles com aumento mais expressivo da letalidade policial.
Segundo os dados do Anuário, as forças policiais fluminenses deixaram 798 mortos ao longo do ano (ou seja, a Operação Contenção foi responsável por quase 15% das mortes), alta de 13% em relação a 2024. Com taxa de 4,6 mortos pela polícia para cada 100 mil habitantes, o Rio tem a sexta maior letalidade policial em termos proporcionais.
O Amapá foi o estado com a maior taxa de letalidade das forças de segurança: os policiais deixaram 17 mortos para cada 100 mil habitantes, o mesmo índice do ano anterior. Foi também o estado mais violento do país, com taxa de 42,5 mortes violentas intencionais.
As polícias da Bahia foram responsáveis pela morte de 1.570 pessoas no ano passado -14 a mais do que em 2024-, o maior número absoluto de mortes em todo o país.
Embora as maiores taxas de crescimento da violência policial tenha se concentrado no Nordeste, esse foi um fenômeno disseminado em todo o território nacional. Apenas dez estados tiveram redução nas mortes por intervenção policial e dois tiveram estabilidade -Amapá e Bahia, com as maiores taxas. Ou seja, uma maioria de 15 unidades da federação teve piora nos índices de violência estatal.
Rondônia teve o aumento mais expressivo, embora isso tenha ocorrido sobre uma quantidade pequena de mortes. Foram 47 mortos pela polícia em 2025, ante 8 no ano anterior -alta de 485%. Maranhão (alta de 84%), Alagoas (+54,6%), Sergipe (+32,6%) e Pernambuco (+31,7%) também tiveram os aumentos de letalidade mais expressivos.
Em São Paulo, que vive um aumento da violência policial desde 2023, foram 835 mortos por policiais no ano passado -alta de 2,5%, alcançando o índice de 1,8 mortos a cada 100 mil habitantes.
"Os elevados níveis de uso da força letal por agentes de segurança e a cooptação de agentes públicos pelo crime organizado não constituem problemas independentes", escreveu o pesquisador Leonardo de Carvalho Silva, do Fórum, num dos textos publicados pelo Anuário.
"Corporações permeáveis à corrupção tornam-se menos capazes de controlar o uso legítimo da força, favorecendo a reprodução de execuções ilegais, fraudes processuais e obstrução de investigações", acrescentou.
