De acordo com a Civil, as ações são distribuídas em seis frentes investigativas independentes da 21ªDP (Bonsucesso), que juntas revelam a dimensão e a diversidade das atividades criminosas articuladas pelo TCP no território da Maré, abrangendo também crimes contra crianças, violência doméstica e homicídio.
Os bandidos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos crimes. Eles possuíam armas, motos e metas objetivas de arrecadação, com a exigência de um número determinado de aparelhos desbloqueados a cada ação. As vítimas eram abordadas e coagidas por criminosos armados a desbloquear os celulares durante a abordagem. A precificação era definida pela própria facção: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2,5 mil, enquanto os bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.
A análise de encomendas, movimentações financeiras e registros de entrega permitiu aos agentes mapear toda a cadeia criminosa, desde as lideranças que impõem regras rígidas sob pena de morte, integrantes com função de perímetro, os executores dos roubos nas vias públicas e até os receptadores que revendiam os produtos ilícitos.
Pornografia infantil:?Os policiais também identificaram uma frente relacionada à pornografia infantil. A investigação teve início a partir de denúncias que demonstravam a participação dos suspeitos em grupos digitais voltados à divulgação e troca de material de abuso sexual infantil.
Os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para trocar arquivos com pornografia infantil, incluindo vídeos com crianças e bebês em situações de abuso sexual explícito. Os arquivos identificados incluem material de extrema gravidade, com vítimas em diferentes faixas etárias, desde bebês com menos de um ano até adolescentes.
Em um dos casos, os agentes identificaram ainda que um dos investigados marcava encontros com um adolescente de 13 anos, que já havia sido vítima de abuso por parte de um dos indivíduos.
Violência doméstica: Outra frente da operação está relacionada a um caso de violência doméstica ocorrido na Baixa do Sapateiro. Após agredir brutalmente uma mulher e descumprir as medidas protetivas, o criminoso passou a ser monitorado pelos agentes. No decorrer das diligências, surgiram informações sobre a posse de armas sem autorização legal.
Participam das ações equipes do Participam da ação equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Também atuam policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque.
Devido a operação, a Secretaria Municipal de Educação informou que na região da Maré 42 escolas foram impactadas.
Além disso, até o momento, três unidades de Atenção Primária suspenderam o início do funcionamento e avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas.