A Polícia Civil realiza uma operação, desde a manhã desta terça-feira (2), contra investigados por torturar duas mulheres, na comunidade Risca-Faca, no bairro Maria Paula, em São Gonçalo, Região Metropolitana. Segundo as investigações, traficantes do Comando Vermelho agrediram e rasparam os cabelos das vítimas. Até o momento, três pessoas foram presas, entre eles um dos responsáveis por executar o crime.
Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) buscam cumprir diversos mandados de busca e apreensão na região. A ação tem como alvos, 14 integrantes da facção, investigados por tortura, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo e exercício do domínio territorial armado na região.
A operação, que conta com apoio de agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorre após a instauração de um inquérito para apurar um caso que aconteceu no dia 18 de maio.
Conforme apurado pela DRE, duas mulheres sofreram sessões de torturas, com agressões físicas, cabelos raspados e obrigação de percorrer as ruas da comunidade, sob coação, pedindo desculpas aos criminosos.
O crime foi registrado e divulgado pelos próprios traficantes nas redes sociais, em uma demonstração de força do chamado "Tribunal do Crime", com objetivo de intimidar os moradores e reforçar o controle da facção na região.
Elas chegaram a dar entrada no Hospital Estadual Alberto Torres, ainda em São Gonçalo. Em depoimento, uma delas disse que foi espancada apenas por ser amiga da outra mulher, que estaria aplicando golpes na comunidade.
"Apurações identificaram que realmente os crimes aconteceram. As mulheres foram julgadas sumariamente sem o direito de defesa. Elas negam qualquer ato que tenha gerado essa reação por parte dos traficantes e informam que eles sequer procuraram saber se elas tinham cometido algum tipo de conduta que pudesse ofendê-los. Mesmo se tivessem praticados, não é admissível que pessoas, sobretudo mulheres, sejam subjugadas como foram. Fato gravíssimo de violação de direitos humanos", contou o delegado Paulo Saback, adjunto da DRE.
A partir da repercussão do caso, agentes da especializada iniciaram uma investigação, que incluiu a coleta de depoimentos, análise de imagens, cruzamento de dados e diligências de campo. A DRE identificou uma participação direta de integrantes da organização criminosa e descobriu que as ordens para a prática das torturas partiram de duas lideranças da facção, ambas com extensa ficha criminal.
A gente vem trabalhando para identificar esses fatos, as pessoas responsáveis e responsabilizá-las perante a justiça criminal. São criminosos periculosos e precisam ser parados, seja pela prisão ou, caso resistam, através da neutralização. Tudo depende da reação com a chegada da polícia. Hoje, eles não reagiram. Se eles resolverem confrontar, vamos usar todo nosso preparo e os elementos legais para neutralizar esse tipo de ameaça", disse o delegado.
A operação desta terça busca aprofundar a apuração, reunir novas provas e identificar outros envolvidos no crime. As investigações seguem em andamento para responsabilizar os autores das torturas e combater a estrutura criminosa responsável pelo tráfico de drogas e pelo domínio territorial na região.