Erika Hilton processa Ratinho por transfobia e pede indenização de R$ 10 milhões

Deputada quer punição por danos morais coletivos após declarações do apresentador sobre sua eleição para comissão da Câmara

12/03/2026 | Por: O DIA

Erika Hilton processa Ratinho por transfobia e pede indenização de R$ 10 milhões

Divulgação

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou, nesta quinta-feira (12), um pedido de investigação no Ministério Público Federal (MPF) contra o apresentador Ratinho e o SBT por falas consideradas transfóbicas feitas durante um programa de televisão. A parlamentar também pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans e travesti.

As declarações ocorreram após Ratinho criticar, em seu programa, a escolha de Erika para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados.
"Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres", escreveu Erika Hilton, no Twitter.
Erika é a primeira mulher transsexual a ocupar a cadeira. A escolha da parlamentar enfrentou resistência de deputados conservadores.
"O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo. E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução. Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado".

Para além da denúncia por racismo, Erika disse nas redes sociais que vai fazer ainda denúncias contra Ratinho e familiares.
"Lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná. E o apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro da sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocupar toda sua capacidade cerebral, é claro", continuou a deputada.
"Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato", acrescentou.
O que aconteceu
Ao vivo em seu programa, o apresentador afirmou que não achou justa a eleição de Erika, nesta quarta-feira (11), para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
O comentário foi feito enquanto Ratinho discutia assuntos políticos. Ao falar sobre o caso, Ratinho disse que não concordava com a escolha e afirmou que a deputada "não seria mulher".
A parlamentar recebeu 11 votos para presidir a comissão, em substituição a Célia Xakriabá (PSOL-MG). Dez deputados votaram em branco.
"Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans, a Erika Hilton. Ela não é mulher. Ela é trans. Não tenho nada contra trans. Mas se tem outras mulheres, mulher mesmo, porque para ser mulher tem que ser mulher, gente", disse o apresentador.
"Eu até respeito todo mundo da Comissão da Defesa dos Direitos da Mulher, eu respeito... todo mundo tem comportamentos diferentes, está tudo certo. Agora, mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata 3, 4 dias. Vocês pensam que a dor do parto é fácil? Tem que fazer o Papanicolau. O que é isso? Com tanta mulher lá. Não sei, eu sou contra", acrescentou.

"Quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado, a deputada Erika Hilton. Não tenho nada contra ela. Ela só fala bem. Ela é boa de prosa. Não tenho nada contra ela, mas acho que deveria ser uma mulher. Que nem no ano passado ou retrasado, o Pabllo [Vittar] ganhou como a mulher mais bonita do Brasil. Tem saco, gente. Mulher não tem saco", continuou ele.
"Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans. Mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Porque não é fácil ser mulher. E se fosse ao contrário? E se uma mulher trans fosse defender pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não estaria. Está certo. Vamos nos modernizar, ter inclusão. Mas não precisa exagerar. Estão exagerando", concluiu Ratinho.
Enquanto falava, o apresentador recebeu muitos aplausos da plateia. Duas mulheres que estavam presentes, no entanto, demonstraram surpresa com os comentários feitos pelo apresentador.

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