Enredo: Um sonho de um tal Pagode Russo nos frevos do meu Pernambuco
Presidente: Icaro Ribeiro
Carnavalesco: Edson Pereira
Intérprete: Ito Melodia
Mestre de bateria: Washington Paz
Rainha de Bateria: Carolane Silva
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Thainá Teixeira e Vinicius Jesus
Comissão de Frente: Sérgio Lobato e Patricia Salgado
Segunda a entrar na Avenida, a Inocentes de Belford de Roxo vai apresentar uma exaltação à cultura pernambucana. Com o enredo "Um sonho de um tal Pagode Russo nos frevos do meu Pernambuco", a agremiação da Baixada se inspira na lenda que afirma que os passos de frevo foram inspirados em uma dança típica russa, destacando aspectos culturais, econômicos e turísticos do Recife, com o colorido do Nordeste.
"O enredo mostra a cultura de Pernambuco, optando por dar voz ao universo fantasioso que propõe a Rússia em Pernambuco, buscando nas barbas ruivas da Troça do Cariri Olindense e dos badulaques enfeitados do Galo da Madrugada, os traços e semelhanças, contradizendo o que é fato sobre a influência das polcas, das danças ciganas e dos grupos de balé russo que circularam a cidade nos anos de 1950, abraçando a ideia de que os passos do frevo, no sonho trazido por Luiz Gonzaga em sua música, são a alusão que se apresenta nas linhas do horizonte de nossa gente", explica o carnavalesco Edson Pereira.
União do Parque Acari
Ficha técnica
Enredo: Brasiliana
Presidente: Carlos Eduardo Farias (Dudu)
Carnavalesco: Guilherme Estevão
Intérpretes: Leozinho Nunes e Tainara Martins
Mestres de bateria: Daniel Silva e Erik Castro
Rainha de Bateria: Luciana Picorelli
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Renan Oliveira e Amanda Poble
Comissão de Frente: Fábio Batista
A União do Parque Acari vai usar a Passarela do Samba para celebrar o histórico grupo de teatro Brasiliana, criado em 1949, que valorizou a cultura afro-brasileira no palco, levando música, dança e folclore para mais de 50 países e revelou grandes artistas negros. O enredo conversa com a identidade da agremiação, que busca temas que exaltem a brasilidade e musicalidade. Para isso, Guilherme Estevão garante um desfile com diversidade estética, uma escola maior em componentes e no tamanho das alegorias, além de uma homenagem na comissão de frente ao ator e escritor Haroldo Costa, criador do grupo, que morreu em dezembro de 2025.
"O enredo surge a partir de uma pesquisa sobre o Teatro Negro de maneira ampla. Entendendo o Brasiliana como uma passagem e companhia fundamental desse movimento, intensificaram-se as pesquisas sobre o grupo e a necessidade de ter um enredo apenas sobre ele. Apresentaremos sua construção, fases, abordagens culturais ao longo de sua história e os inúmeros integrantes da companhia. A ideia é trazer um pouco da estética cenográfica e de figurinos da companhia ao longo dos momentos em que foi Grupo dos Novos, Teatro Folclórico Brasileiro e Brasiliana. Uma pluridade de referências culturais populares brasileiras", completa o carnavaesco.
Unidos de Bangu
Ficha técnica
Enredo: As coisas que mamãe me ensinou
Presidente: Leandro Augusto
Carnavalescos: Lino Sales, Alexandre Costa e Marcus du Val
Intérpretes: Fredy Vianna e Pipa Brasey
Mestre de bateria: Dinho
Rainha de Bateria: Camila Prins
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Leonardo Moreira e Bárbara Moura
Comissão de Frente: Fabio Costa
Com o enredo "As coisas que mamãe me ensinou", a Unidos de Bangu vai recontar a vida da cantora e compositora Leci Brandão. O desfile exaltará a trajetória da artista, conhecida pelo ativismo social e pela atuação em defesa das minorias como deputada estadual por São Paulo. A Bangu também irá revisitar a ancestralidade, a influência da família em sua formação e a construção da identidade como mulher negra, akém de lembrar hits da carreira, como "Zé do Caroço" e "Barco à vela".
Em uma publicação nas redes sociais, Leci agradeceu a homenagem: "Axé, Bangu! Quero agradecer ao presidente, ao diretor de Carnaval, à ala das baianas, minhas queridas senhoras baianas, à harmonia, à bateria, toda a comunidade da Unidos de Bangu. Estou com muita expectativa para esse desfile. Se Deus quiser, Ogum e Iansã vão fazer com que a Bangu tenha um resultado magnífico nesse Carnaval."
Unidos de Padre Miguel
Ficha técnica
Enredo: Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema
Presidente: Lara Mara
Carnavalesco: Lucas Milato
Intérprete: Bruno Ribas
Mestre de bateria: Laion
Rainha de Bateria: Andressa Marinho
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas
Comissão de Frente: Paulo Pinna
A Unidos de Padre Miguel, que retornou à Série Ouro após ser rebaixada do Grupo Especial em 2025, vai tentar conquistar outra vez seu espaço na elite com o enredo "Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema". O Boi Vermelho e Branco da Zona Oeste apresenta a história da indígena potiguara Clara Camarão, peça-chave na expulsão dos invasores holandeses no Recife, no século XVII, liderando um exército feminino, mas que teve registros históricos apagados. O carnavalesco explica que o desfile da escola da Vila Vintém será um manifesto contra o apagamento e vai preencher lacunas com fatos e a espiritualidade da Jurema Sagrada. Lucas Milato ainda destaca que o tema se entrelaça com a identidade da agremiação, comandada por muitas mulheres.
"A UPM é uma escola sustentada por pilares femininos. Temos a Lara Mara como nossa presidenta e mulheres ocupando posições de liderança em diversos segmentos. Falar de Clara Camarão é falar da nossa própria essência: uma escola que luta diariamente para valorizar o protagonismo feminino e que entende que o Carnaval também é espaço de crítica e reflexão. Trazer esse tema é uma urgência social e uma homenagem às mulheres que fazem a nossa engrenagem girar", diz Lucas. Para o desfile deste ano, a UPM promete manter um padrão de grandiosa que virou marca registrada.
"O público pode esperar uma UPM imponente e extremamente correta plasticamente. Podem esperar uma estética que mistura o rigor histórico das batalhas coloniais com o misticismo profundo da Jurema Sagrada. Um dos pontos altos será a forma como vamos retratar o exército feminino de Clara: não apenas como guerreiras de combate, mas como detentoras de um saber ancestral. Teremos um efeito visual em uma de nossas alegorias que fará a "floresta de Jurema" ganhar vida, simbolizando que, mesmo onde tentaram apagar a história de uma mulher, a natureza e a espiritualidade a mantêm viva", completa o artista.
União da Ilha
Ficha técnica
Enredo: Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois
Presidente: Ney Filardi
Carnavalesco: Marcus Ferreira
Intérprete: Tem Tem Jr.
Mestre de bateria: Marcelo Santos
Rainha de Bateria: Gracyanne Barbosa
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: João Oliveira e Duda Martins
Comissão de Frente: Junior Scapin
Penúltima a desfilar, a União da Ilha do Governador quer levar a galáxia para a Sapucaí. O enredo "Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois" propõe uma viagem cósmica embalada pelo Cometa Halley, visível a olho nu da Terra a cada 75-76 anos, com sua última passagem em 1986 e a próximo prevista para 2061. A tricolor insulana usa o cometa como metáfora para lembrar que a vida é rara, passageira e deve ser vivida agora, com leveza, brilho e irreverência. O título lembra, ainda, os antológicos sambas de 1977 ("O Amanhã") e de 1982 ("É hoje").
"Em determinados pontos em algumas alas, a gente mostra que a ciência tenta entender esse universo que a gente não conhece. Então, vêm alquimistas misturados um pouco com a religiosidade, a fé. Quando o 'bicho pega', eu acho que a gente se apega a fé. A Ilha vem um pouquinho barroca, um pouquinho religiosa, um pouquinho futurista. Acho que essa mistura vai dar um tom legal para a plástica (...) O cometa é o nosso homenageado, é parte de nós. Cientificamente, a gente faz parte do universo enquanto molécula. Então, ele já abre o desfile e encerra de maneira muito apoteótica, muito feliz, muito alegre, como a Ilha gosta", detalha Marcus Ferreira.
Ainda segundo o carnavalesco, a agremiação aposta na inovação das baianas, sem deixar de lado a tradição da ala, para impressionar o público e jurados. Marcus Ferreira conta também que o desfile homenageará Maria Augusta Rodrigues, carnavalesca fundamental na história da escola, que morreu em julho de 2025: "O final, que é bem impactante, traz uma homenagem muito grande à espiritualidade que a Maria Augusta me ensinou em vida, enquanto amiga, enquanto protetora que era, enquanto a maior artista que passou pela Ilha."
Acadêmicos de Vigário Geral
Ficha técnica
Enredo: Brasil Incógnico: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa
Presidente: Elizabeth da Cunha (Betinha)
Carnavalescos: Alex Carvalho e Caio Cidrini
Intérprete: Danilo Cezar
Mestre de bateria: Luygui
Rainha de Bateria: Patrícia Souza
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Johny Matos e Isabella Moura
Comissão de Frente: Marlon Cruz e Handerson Big
Fechando a primeira noite da Série Ouro, a Acadêmicos de Vigário Geral remonta os relatos mitológicos e fantasiosos dos primeiros europeus que chegaram ao Brasil e imaginaram uma terra de criaturas monstruosas e seres míticos. O enredo "Brasil Incógnico: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa" ressignifica essas figuras e as transforma em heróis símbolos de identidade, resistência e diversidade. O desfile aposta em um olhar antropofágico sobre a cultura brasileira, valorizando o que antes foi tratado como estranho.
"O português criou monstros, seres estranhos, híbridos e cidades perdidas para justificar sua ambição. Na nossa proposta, viajamos pelos mesmos locais que esse português, passando pelos biomas marítimo, o da floresta e o do sertão profundo árido. Só que no nosso desfile esses monstros e criaturas imaginárias são nossos heróis, são o que fazem do Brasil ser o que é. Dessa forma a gente prepara um desfile colorido e com a mensagem que somos filhos da antropofagia, da diferença e das culturas mescladas", diz o carnavalesco Alex Carvalho, que assina o desfile ao lado de Caio Cidrini.
Sábado de gigantes
No sábado (14), outras oito escolas passam pelo Sambódromo no segundo e último dia de desfiles da Série Ouro. A Avenida receberá Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Ponte.
* Colaborou Raphael Perucci