As autoridades indianas anunciaram uma "contenção oportuna" do mortal vírus Nipah, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, nesta terça-feira (27).
O Nipah, que é transmitido de animais para humanos, não tem vacina e apresenta uma taxa de mortalidade que varia entre 40% e 75%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os sintomas incluem febre intensa, vômitos e infecção respiratória, mas os casos graves podem apresentar convulsões e inflamação cerebral que pode provocar coma. Os morcegos frugívoros são os portadores naturais do vírus e foram identificados como a causa mais provável dos surtos.
"Implementamos medidas reforçadas de vigilância, testes de laboratório e investigações de campo, o que permitiu a contenção oportuna dos casos", afirmou o Ministério da Saúde indiano em um comunicado divulgado.
As autoridades não divulgaram mais detalhes sobre os dois pacientes infectados.
"A situação está sob vigilância constante e foram adotadas todas as medidas de saúde pública necessárias", acrescenta a nota, que cita ainda a localização de 196 contatos relacionados com os casos e que todos testaram negativo.
O que é o vírus Nipah?
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, após a propagação entre criadores de porcos na Malásia.
Na Índia, o primeiro surto do Nipah foi registrado em Bengala Ocidental em 2001. Em 2018, pelo menos 17 pessoas morreram devido ao Nipah em Kerala e, em 2023, duas pessoas faleceram em consequência do vírus, no mesmo estado do sul do país.
A transmissão ocorre por meio do contato com animais infectados, consumo de alimentos contaminados ou transmissão direta entre pessoas, especialmente por meio de fluidos corporais e gotículas respiratórias. Os morcegos são os hospedeiros naturais do vírus, mas outros animais, como porcos e cavalos, também podem ser infectados.
Em humanos, a infecção pode ser assintomática, mas também pode causar infecções respiratórias e evoluir para encefalite fatal. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, podendo variar de acordo com o surto, a capacidade local de vigilância epidemiológica e o manejo clínico dos pacientes.
Os sintomas iniciais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da doença, podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos, indicativos de encefalite aguda. Em casos mais graves, há registro de pneumonia atípica, convulsões, insuficiência respiratória e coma.