Santana foi atingido por três disparos. Outro agente pediu apoio e fez um torniquete para estancar o sangue. Mesmo cercados, os policiais não desistiram. Um grupo maior chegou para reforçar o resgate, utilizando lonas para improvisar uma maca.
Walner foi retirado da área em meio ao tiroteio, recebendo os primeiros socorros ainda no local. O resgate levou uma hora e seis minutos.
A operação ainda terminou com as mortes do PM Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, também do Bope, e dos policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, e Rodrigo Velloso Cabral, 34.
"Nossos combatentes tombaram como heróis, lutando para proteger a vida de seus companheiros e da sociedade. Não podemos naturalizar a presença de armas de guerra nas mãos de criminosos. Uma frase que ficou marcada em nossa tropa nesta operação, dita pelo sargento Heber, uma das vítimas, resume o espírito da ação: ‘Ninguém vai parar a gente.’ É exatamente o que essas imagens mostram. Continuaremos nossas operações em defesa da população com técnica, inteligência, estratégia e sempre dentro da lei", afirmou o secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.
Cenas de guerra
Vídeos divulgados pelo Governo do Rio neste domingo (2) mostram cenas de guerra vividas nos complexos do Alemão e da Penha no último dia 28. Criminosos usaram armas de uso militar, como os fuzis AK-47, AR-10, FAL, G3 e AR-15, modelos utilizados em zonas de conflito como Síria, Gaza e Iêmen. Dezenas de ruas foram tomadas por barricadas em chamas.
As imagens registram ataques coordenados e emboscadas. Em uma das cenas, policiais civis avançam pela área de mata quando são surpreendidos por uma sequência de disparos. Dois agentes são atingidos. O policial Rodrigo Velloso Cabral, da 39ª DP (Pavuna), resgata os colegas feridos. Depois, em cena não registrada, Velloso dá voz de prisão ao autor dos disparos, mas acaba sendo baleado e morrendo.
Outra gravação mostra o Complexo do Alemão em chamas, com vários focos de incêndio provocados por barricadas. "As imagens falam por si. É um cenário de guerra. Por isso falamos em narcoterrorismo: não é tráfico, é uma estrutura que desafia o Estado e a soberania", destaca o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
A operação teve 2.500 agentes das polícias Civil e Militar.
Foram 121 mortos, sendo 117 criminosos, segundo o Governo do Rio. Além disso, 113 pessoas foram presas, incluindo 33 de outros estados.
Também foram apreendidas 120 armas, sendo 93 fuzis, o maior número em um único dia na história do Rio.
O prejuízo ao crime organizado é estimado em R$ 12,8 milhões.Um levantamento da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) da Polícia Civil identificou que parte do arsenal tem origem em países como Venezuela, Argentina, Peru, Bélgica, Rússia, Alemanha e Brasil. Há também armas desviadas das Forças Armadas e fuzis montados com peças contrabandeadas e outras compradas pela internet. O material está sob perícia e a Polícia Civil compartilhará dados com o Exército Brasileiro para rastrear a origem dos armamentos.