Corpos mumificados encontrados no Salgado Filho têm sinais de violência, diz delegado

Polícia Civil investiga se cadáveres podem ser de vítimas de homicídios ou atropelamentos

23/10/2025 | Por: O DIA

Corpos mumificados encontrados no Salgado Filho têm sinais de violência, diz delegado

Divulgação

Rio - Os 14 corpos mumificados encontrados pela Polícia Civil no necrotério do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, Zona Norte do Rio, apresentam sinais de violência, incluindo indícios de homicídio, atropelamento e "pedaços" de corpos dentro de sacos plásticos. A informação foi confirmada pelo delegado Luiz Jorge Rodrigues, titular da 23ª DP (Méier) e responsável pelas investigações.
Nesta quinta-feira (23), a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal do Rio realizou uma audiência pública para discutir as denúncias sobre o caso. Participaram do encontro o delegado da 23ª DP e o diretor do Instituto Médico Legal (IML), André Luiz Medeiros. Segundo o diretor, entre os cadáveres havia corpos que permaneceram no necrotério por cerca de um ano.

De acordo com o delegado, a identificação das vítimas só será possível por meio de exame de DNA ou análise da arcada dentária.

A apuração dos fatos teve início no começo de outubro deste ano, a partir de uma comunicação feita por um perito do IML, que relatou a impossibilidade de elaborar laudos devido ao avançado estado de decomposição dos corpos. Após depoimentos de testemunhas, foi descoberto que mais corpos estariam abandonados na unidade de saúde.

Um dos cadáveres, inclusive, estaria no local desde dezembro de 2024, sem qualquer possibilidade de identificação, não sendo possível determinar sequer o sexo da vítima. As investigações seguem para apurar possíveis crimes de fraude processual e vilipêndio de cadáver, além de outros delitos que possam ter ocorrido.

Funcionário demitido e divergência nas informações
Horas depois das denúncias se tornarem públicas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afastou a chefe do setor responsável pela liberação dos corpos e abriu sindicância para apurar os fatos.
Na ocasião, por meio de nota, a secretaria afirmou que não procede que haja dez corpos em decomposição no Hospital Municipal Salgado Filho. A pasta justificou que trata-se de um hospital com grande volume de atendimentos de casos graves e, consequentemente, número elevado de óbitos.
"Mesmo assim, dos sete corpos que estão hoje no morgue da unidade, três são de pacientes que morreram há menos de 24 horas e ainda não foram retirados pelas famílias. Os outros quatro corpos são de pacientes que não tinham referências familiares ou documentos, que não foram identificados na ocasião e acabaram não podendo ser removidos para sepultamento no prazo previsto na legislação. Três desses corpos já estão com a identificação confirmada e o HMSF aguarda os trâmites judiciais para o sepultamento tardio, que deve ocorrer nos próximos dias", disse em nota.

Ainda segundo a direção do hospital, "não há qualquer intencionalidade da unidade em atrasar a identificação ou sepultamento de qualquer paciente".

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