27/07/2025 | Por: Agência Brasil
(Divulgaçao Internet)
Cineastas e profissionais do setor audiovisual brasileiro
lançaram recentemente um manifesto pedindo a regulamentação do streaming no
Brasil. Chamado de Manifesto por uma Regulamentação do Streaming à
Altura do Brasil e assinado por milhares de profissionais do setor, o
documento defende que “a regulamentação do vídeo sob demanda (VOD) é hoje a
medida mais urgente e estratégica para garantir o futuro do audiovisual
brasileiro”.
O manifesto – que já foi assinado por nomes como Joel
Zito Araújo, Lúcia Murat, Matheus Nachtergaele, Karim Aïnouz, Paulo Betti, Malu
Mader e Marcos Palmeira - reivindica que as plataformas de streaming sejam
obrigadas a investir, no mínimo, 12% de sua receita bruta no mercado
brasileiro. Desse total, a ideia é que 70% sejam destinados ao Fundo
Setorial do Audiovisual, por meio da Contribuição para o Desenvolvimento da
Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), um tributo que incide sobre a
produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais. Segundo o documento,
isso iria fortalecer “políticas públicas transparentes e descentralizadas, com
alto potencial de retorno econômico e fiscal”.
Os demais 30% seriam aplicados diretamente pelas plataformas
em obras brasileiras independentes, por meio de licenciamento ou
pré-licenciamento, o que poderia estimular também a produção privada.
Na noite desta sexta-feira (26), durante a cerimônia de
abertura do Festival de Cinema Sul Americano de Bonito (Cinesur), realizado no
Centro de Convenções de Bonito (MS), diversos atores brasileiros defenderam a
regulamentação do streaming no país.
Em entrevista à reportagem da Agência Brasil, o
ator Antônio Pitanga, por exemplo, disse que a situação atual é preocupante.
“Temos que estar acesos e ligados com essa discussão e colocar a cara na
vitrine para poder discutir sobre isso e exigir do governo federal, ministros,
deputados e senadores [a aprovação desse projeto]”, defendeu. “Estamos
trabalhando com a proposta de taxação de 12%, mas os 6% [que estariam sendo
pensados pelo governo] já nos contemplaria. Temos que defender o cinema
nacional. Essa é uma discussão aberta. A política é a arte de negociar. E acho
que o governo Lula teria condições de aprovar [a proposta]”, completou.
A mesma opinião tem a atriz Maeve Jinkings. “Como atriz que
circula sempre entre plataformas de streaming e televisão, é muito
evidente a precarização nos contratos dos profissionais que estão nessa cadeia
e que são submetidos a contratos, às vezes, muito leoninos. Acho que tem uma
coisa aí que é fundamental: o que é que essas plataformas têm a dar para essa
cadeia local aqui? Como é que a gente pode nutrir essa cadeia a partir da nossa
gente, das nossas histórias e do nosso imaginário para as plataformas que estão
circulando mundialmente? A gente está dando e a gente também quer ser nutrido
por isso”, disse a jornalistas durante o Cinesur.
Para ela, é preciso ampliar as discussões sobre esse tema.
“O que eu sinto é uma insatisfação generalizada. E fico muito impressionada que
os meus colegas, das grandes produtoras, acham que o dinheiro está com os
pequenos produtores. Já os pequenos produtores acham que o dinheiro está com as
grandes produtoras. Meus colegas do teatro acham que o dinheiro está todo com o
cinema. Mas onde está o dinheiro? Sinto uma paralisação e insatisfação
generalizada e sinto falta de a gente se encontrar mais porque existem
muitas narrativas e maneiras de ver o problema. Sinto falta de a gente se
reunir, com mais escuta”, acrescentou Maeve. “O debate de ideias não é fácil.
Mas acho que, mais do que nunca, com as democracias em crise no mundo inteiro,
precisamos aprender a organizar essas agendas”.
A atriz e diretora Bárbara Paz, que vai apresentar seu novo
documentário Rua do Pescador Número 6 no Cinesur, também é a favor da regulação
das plataformas de streaming. “Não tem como não defender isso. Isso é urgente.
Estamos muito atrasados nisso”, disse.
“Somos brasileiros, fazemos filmes, fazemos um cinema que
interessa ao mundo inteiro. O cinema brasileiro, como a música brasileira e
como a cultura brasileira, interessa a todo mundo. As pessoas querem se
alimentar da nossa cultura. Temos um olhar e um gosto diferenciado. Então o que
queremos é filme brasileiro no streaming. E isso tem que ser pago”, defendeu.
Discussões
O tema da regulamentação do streaming vem sendo amplamente
discutido dentro do Ministério da Cultura. Em janeiro deste ano, na
abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes, a secretária nacional do
audiovisual, Joelma Gonzaga, disse que é “urgente que se resolva nesse ano a
regulação do VOD”.
Uma das principais questões, segundo ela, é garantir a
proteção do conteúdo nacional. Em outras palavras, significa que plataformas
como Netflix e Amazon Prime Video, por exemplo, teriam que garantir no catálogo
disponibilizado para o público brasileiro um percentual mínimo de produções
nacionais.
Atualmente, o Ministério da Cultura tem defendido as
propostas presentes no projeto substitutivo apresentado pela deputada Jandira
Feghali (PCdoB/RJ), relatora do PL 2.331/22, na Câmara dos Deputados. O texto
propõe uma cota de 10% de conteúdo brasileiro nos catálogos do streaming e uma
alíquota de 6% de Condecine sobre o faturamento bruto anual.
Em reunião realizada no mês passado com representantes do
Movimento VOD12 pelo Audiovisual Brasileiro, a ministra Margareth Menezes disse
que a regulação da plataformas representará não apenas um marco legal, mas um
passo simbólico para o Brasil no cenário internacional. “Essa não é apenas uma
pauta econômica ou técnica; é uma afirmação de soberania cultural. A
regulamentação das plataformas de streaming vai fortalecer a produção
independente e gerar novas oportunidades para criadores de todo o país”, disse, na
ocasião.
Cinesur
O Cinesur teve início na noite de ontem, com uma homenagem à
atriz paraguaia Ana Brun e a apresentação do filme As Herdeiras,
pelo qual venceu o Urso de Prata de melhor interpretação feminina no Festival
de Berlim em 2018.
Na edição deste ano, o festival reúne 63 filmes de nove
países da América do Sul. “O Festival Sul-Americano proporciona esse espaço
de discussão e de interação entre o velho e o novo, o jovem e o velho. E dessa
discussão é que nasce a luz”, comentou o ator Antônio Pitanga, que apresentou a
cerimônia de abertura do festival. “Cinema é a tribuna acesa para que a gente
possa interagir, discutir e também consagrar, homenagear e celebrar”,
acrescentou o ator.
Segundo Nilson Rodrigues, criador e diretor do festival,
além da exibição de filmes, o Cinesur tem uma grande missão que é “contribuir
com o processo de integração da América do Sul”.
“Somos mais de 400 milhões de sul-americanos. E nós queremos
ajudar nesse processo de integração”, disse, durante a abertura do evento.
“A gente tem tanto para dizer e para aprender um com o
outro. Então, esse lugar aqui nos alimenta e acho que a gente tem que
aproveitar desses momentos”, completou a atriz Maeve Jinkings, que também
apresentou a cerimônia.
Todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas.
Mais informações sobre o festival, que será realizado até o dia 2 de agosto,
podem ser obtidas no site do evento
- Mídia Kit
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